A neuroeconomia e o “Admirável Mundo Novo”

O caderno Cultura & Estilo da última sexta-feira (09/12) publicou densa reportagem sobre e economia comportamental, ou melhor,”neuroeconomia”, como querem os mais entusiastas. A despeito da capacidade da nova ciência propor mudanças significativas em termos macroeconômicos, é interessante observar os avanços e reflexões acerca dos limites e expectativas do individualismo metodológico, onde antigas premissas são falseadas à medida que avançam as descobertas sobre o cérebro humano.

Vale destacar algumas “catadas” da reportagem de Diego Viana:

“Os neuroeconomistas buscam entender as consequências desse tratamento do dinheiro. Ao descobrir que mesmo em pessoas com perfis muito diferentes o dinheiro acionava os mesmos mecanismos de busca e aversão ao risco, o laboratório de Paul Glimcher, em Nova York, tentou descobrir que tipo de relação uma pessoa manteria com o dinheiro quando estivesse com muita fome. “O mais interessante é que a fome faz com que as pessoas, por mais diferentes que sejam suas atitudes normalmente com relação ao risco, se tornem mais ou menos iguais. Elas convergem para uma aversão moderada ao risco”, diz Glimcher. “Pensamos: isso deve ter implicações macroeconômicas! Precisamos encontrar algum mercado em que a variação do nível de fome seja variável para ver o que acontece.”

“Um dos membros do laboratório é árabe”, relata o pesquisador. “Foi ele quem sugeriu observar o que acontece com as bolsas dos países do Oriente Médio durante o Ramadã.” No Ramadã, mês sagrado da religião muçulmana, os fiéis passam todo o dia, do amanhecer até o pôr do sol, sem comer. Ao se debruçar sobre os dados tirados das negociações no período, os neuroeconomistas se depararam com um fenômeno conhecido como “efeito Ramadã”.

Mais adiante:

Embora concorde que é preciso ter cuidado ao aproximar campos distintos, Glimcher considera que o namoro da neurologia com a economia pode produzir um rebento saudável. Ele lembra do surgimento da teoria das ondas, de Werner Schödinger, que fundiu a física e a química – “hoje, as duas ciências são mais confiáveis e robustas” – e do surgimento da bioquímica – “os biólogos diziam que seria impossível explicar qualquer fenômeno biológico com o DNA, mas hoje a biologia é pura genética”.

De fato, perquirir sobre o que induz o indivíduo a se comportar desta ou daquela forma é um instrumento poderoso para desenhar incentivos. Por outro lado, induzir comportamentos, em especial, ceder à tentação de pré-condicionar biologicamente e psicologicamente pessoas, a fim de induzi-las a viver em harmonia com as leis e regras sociais, poderá, fatalmente, conduzir a humanidade ao “Admirável Mundo Novo”, Aldous Huxley que o diga!

Por @victorhugodom

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