Relator se posiciona contra fusão Sadia-Perdigão e votação é adiada

União entre as empresas prejudica o consumidor, diz relator.
Conselheiro pede vistas e julgamento fica para o dia 15.Fábio Amato Do G1, em Brasília

Fusão entre Sadia e Perdigão gera aumento de preço, diz relator no Cade

O relator no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do processo que julga a fusão entre Sadia e Perdigão, Carlos Ragazzo, sugeriu ao órgão antitruste que reprove a operação que resultou na criação da Brasil Foods (BRF), uma das maiores empresas do mundo no setor de alimentos.

A votação do relatório, entretanto, foi adiada após pedido de vistas feito pelo conselheiro Ricardo Ruiz. A retomada da análise do processo foi marcada para o próximo dia 15 de junho.

Ragazzo afirmou em seu relatório que a união entre as duas maiores empresas brasileiras no setor de alimentos congelados e processados cria um “cenário extremamente danoso” para o consumidor brasileiro. E pede que a Perdigão seja obrigada a se desfazer de todos os ativos adquiridos da Sadia.

O relator apontou que a fusão põe fim à concorrência em setores como o de salsicha e presunto. E que essa concentração de mercado da BRF vai dar a ela condições de aumentar os preços de seus produtos sem que isso resulte em queda nas vendas, já que a tendência dos consumidores é optar entre produtos de Sadia ou Perdição. Além disso, apontou que a criação da gigante do setor de alimentos impede a entrada de novos concorrentes nesse mercado.

Na avaliação apresentada por Ragazzo, o aumento de preços em alguns tipos de alimentos pode chegar a 40%. Segundo ele, por esse motivo a fusão tem o potencial de gerar inflação e ainda comprometer a renda de famílias das classes C e D, que são as principais consumidoras dos produtos das marcas Sadia e Perdigão.

Ragazzo refutou a alegação da BRF de que a fusão criou a terceira maior exportadora do país e disse que a função do Cade é de proteger a concorrência dentro do país e não chancelar negócios que beneficiam famílias no exterior.

O vice-presidente de Assuntos Corporativos da BRF, Wilson Mello, que acompanhou a leitura do relatório, disse que a empresa continua confiante em uma solução negociada que não leve ao “radicalismo.”

“O que tivemos foi o voto do relator. Faltam quatro votos. E a empresa continua acreditando que ela tem condições de demonstrar que, diferentemente do que foi apontado no relatório, existem elementos para uma solução negociada”, disse Mello.

De acordo com ele, a empresa vai conversar com os quatro relatores que faltam votar no processo para levar até eles “o mesmo grau de informação” a que teve acesso o relator. O objetivo da BRF, disse, vai ser “encontrar uma solução que não leve para o radicalismo da reprovação de uma operação dessa importância.”

Não participam do julgamento o presidente do Cade, Fernando Furlan, que se declarou impedido por ser primo do presidente da Sadia, Luiz Fernando Furlan; além do conselheiro Elvino Mendonça, que participou do parecer sobre a fusão quando atuava na Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae).

A Brasil Foods foi criada em maio de 2009 com a compra pela Perdigão dos ativos da Sadia. Na época, a Sadia estava endividada depois de prejuízos com operações financeiras chamadas de derivativos cambiais durante a crise financeira no final de 2008.

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