Viés, otimismo e comportamento

Em psicologia comportamental o viés de super-otimismo demonstra a tendência sistemática para ser demasiadamente confiante em relação ao resultado das ações planejadas. No contexto econômico explica por vezes inúmeras  e equivocadas decisões sobre as previsões de mercado, que terminam em falências, quebras na bolsa e comprometimento do patrimônio particular. Não raras vezes, as decisões tomadas em contextos de elevado otimismo acabam por findar em problemas jurídicos.

Recentemente o Brasil obteve o honroso 4º lugar entre os países mais otimistas em relação ao emprego em 2011. Segundo o site Administradores, O estudo International Business Report 2011 revela que o indicador brasileiro foi de +47%, perdendo apenas para a Índia (+64%), Turquia (+60%) e Vietnã (+57%). Com este indicador, o otimismo do Brasil está bem acima da média global, que é de +19. O levantamento foi realizado com mais de 11 mil empresas de 39 países. (para ler a matéria completa clique aqui)

Se as pessoas imaginam certa disponibilidade de renda, e uma duradoura possibilidade de obter facilmente emprego, o consumo de produtos duráveis a longo prazo, e o aumento do endividamento familiar são conseqüências naturalmente presumíveis ao mais leigo analista social. Todavia, em macroeconomia, os efeitos do super-otimismo são ainda pouco relacionados ao impacto jurídico desta “coletiva” sensação de bem-estar, e por vezes mesmo contraditórios.

Tome-se o exemplo do levantamento realizado pelo Índice de Expectativa das Famílias – IEF, elaborado trimestralmente pelo IPEA. O último relatório (n.º 9) demonstrou que 88,08% das famílias da região norte afirmam gozar de uma situação de segurança ante a ocupação do responsável pelo domicílio. De forma contraditório, no mesmo estudo 54% das famílias da região norte afirmaram que não terão condições de pagar as contas atrasadas, simplesmente o maior índice de todas as regiões do país. Nota-se, portanto, não somente um forte viés de super-otimismo, como também um grave distúrbio financeiro. No caso das famílias da região norte, a sensação de segurança não se relaciona com o pagamento dos débitos em atrasos, o que desembocará, sem dúvida, em ações judiciais das mais diversas naturezas, sem contar o efeito econômico da inadimplência em larga escala.

Otimismo e entusiasmo afetam sobremaneira o comportamento das pessoas, mas nem sempre para o melhor. Já dizia Jorge Bem: Prudência e dinheiro no bolso, canja de galinha não faz mal a ninguém.

Por @victorhugodom

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